domingo, 24 de outubro de 2010

Quintanares

Um louvor do grande Manuel Bandeira para Mário Quintana.

Meu Quintana, os teus cantares

Não são, Quintana, cantares:

São, Quintana, quintanares.

Quinta-essência de cantares...

Insólitos, singulares...

Cantares? Não! Quintanares!

Quer livres, quer regulares,

Abrem sempre os teus cantares

Como flor de quintanares.

São cantigas sem esgares.

Onde as lágrimas são mares

De amor, os teus quintanares.

São feitos esses cantares

De um tudo-nada: ao falares,

Luzem estrelas luares.

São para dizer em bares

Como em mansões seculares

Quintana, os teus quintanares.

Sim, em bares, onde os pares

Se beijam sem que repares

Que são casais exemplares.

E quer no pudor dos lares.

Quer no horror dos lupanares.

Cheiram sempre os teus cantares

Ao ar dos melhores ares,

Pois são simples, invulgares.

Quintana, os teus quintanares.

Por isso peço não pares,

Quintana, nos teus cantares...

Perdão! digo quintanares.


Manuel Bandeira

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